A sociedade econômica brasileira com sua política econômica, que isola e divide as pessoas em classes e grupos e distribui a miséria nas mãos da maioria e concentra a riqueza nas mãos de uma classe restrita: A língua não poderia deixar de ser a expressão dessa mesma situação.
A língua produção social e reprodução é fato cotidiano, no entanto miséria social e miséria da língua confundem-se, a economia desumana no Brasil mata antes de nascerem milhões de futuros falantes, que são reprimidos antes de dar o primeiro choro. Alguns conseguem chegar aos dois anos e apropriar do instrumento valioso: a linguagem e a fala, conseguir falar é uma riqueza fantástica para as multidões que não desfrutam riquezas econômicas, mas esses sobreviventes conseguem mesmo falar? Não meramente grunhir sons para suprir suas necessidades, seus desejos, prazeres, dizer coisas para transformar, dizer seu sofrimento e suas causas e dizer o que fazer para mudar.
Quem tem direito a fala? Pobres falantes! Seu trabalho não tem palavras, apenas ferramentas e isolamentos, é um trabalho mecânico e infeliz. Se conversa é com sua máquina, enxada, os intervalos lhe permitem abrir a boca para comer a ração diária. Chegando, em casa ele (a) falantes esgotados mal ouvem as palavras ditadas pela TV ou gritos dos filhos. Os que têm sorte chega mais cedo e pode ver a novela ou algo mais. Ele (a) pobretões podem ouvir, mas de posse do instrumento, língua, não pode usá-la integralmente. O professor dos ouvintes é a TV, que é a professora antiga,autoritária só fala,fala e nunca ouve; o espectador é o aluno antigo (passivo). A TV é uma escolinha: a cada horário corresponde uma série, com o subir das series muda o nível de programas e de espectadores também. Nas ultimas series (programas) a evasão é enorme, mas ao contrario da escola. Os alunos que sobra na escola (TV) ficam por prazer, sobram somente os selecionados pela sociedade que podem ouvir e ver qualquer coisa, pois não faz nada, a vida já esta arrumada. Somente uma pequena quantidade de pessoas tem direito, condições de falar, pensar e usufruir da literatura, poesia, cinema e textos importantes.