|
| São Paulo, 7/09/2010
« Voltar
Desafios da Governança Corporativa
Postado em 07/08/2009
Ahmed El Khatib ahmed.khatib@usp.br
Diante dessa grave crise política estrutural de governabilidade (atos secretos, debates acalorados no Senado Federal) pela qual o país passa, mesmo o mais pessimista não pode negar que há um ponto positivo em tudo isso: revelam-se com maiores detalhes e clareza as velhas práticas de corrupção, o que abre a oportunidade de uma ação efetiva, por parte da sociedade, para evitar a continuidade e a repetição dessas práticas fraudulentas.
Atualmente, os pilares da boa governança corporativa estão cada vez mais sendo fortalecidos, pois, com o amplo acesso às informações e com cidadãos mais conscientes de seus direitos, certos fatos anteriormente pouco divulgados, e por isso relevado, não são mais tolerados. Hábitos que estão entranhados em nossos costumes, como o uso do aparelho de Estado em benefício de interesse político-partidário ou privado, são expostos aos brasileiros de uma forma mais clara e transparente. Hoje clamamos por um "basta" ao uso que se tem feito da máquina pública em nosso país.
Trata-se de uma ótima notícia, pois com o conhecimento de como funcionam os esquemas de corrupção, de quem são os diferentes atores envolvidos nessa produção "cinematográfica" de custos elevados, mas de qualidade péssima e associados às limitações dos atuais sistemas de prevenção e controle, temos a real oportunidade de aperfeiçoar nossas instituições e colocá-las a serviço dos verdadeiros interesses públicos, contando com a participação de amplas camadas da sociedade.
Podemos, sim, afirmar que o Brasil hoje está bem mais preparado para a "onda" implementação da governança corporativa. Associados a essa onda de transparência existem os resultados positivos de nossa economia, produzindo, contudo, no país uma perigosa sensação de solidez, pois já não existe a mesma urgência por reformas estruturais. O rigor pela disciplina fiscal parece estar esmaecendo. As próprias condições de governabilidade parecem estar em deterioração. O clima de otimismo econômico não tem sido suficiente para as empresas acelerarem a produção, porque muitas permanecem reticentes em investir na ampliação da capacidade produtiva. A superação das incertezas, quando decisões de investimento estão em questão, requer saber se estamos seguramente estruturados ou apenas "surfando" na onda de um novo milagre econômico.
Não importa o momento, as grandes tarefas, os grandes desafios, ou até mesmo os grandes empreendimentos, sejam eles no governo ou na direção de uma empresa, exigem que o homem pense, reflita sobre o histórico dos fatos, observe o momento de transição e se projete para o amanhã de forma estruturada e ciente dos riscos que existem diante do novo, do desconhecido.
|