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O capital intelectual de Carlos Nakao

Ele ficou conhecido como o nikkei ?queridinho do Brasil? na terceira edição do programa O Aprendiz, de Roberto Justus, concorrendo a um alto cargo executivo em Nova York. Apesar de ter sido eliminado, o paulista Carlos Nakao conseguiu mostrar ao país não só suas habilidades e conhecimentos, mas principalmente seus valores éticos e morais, reforçando inclusive a boa imagem dos nikkeis perante a sociedade.
Engenheiro formado pela Universidade de São Paulo (USP), Nakao é ainda pós-graduado em administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) e mestre em economia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). Já trabalhou em empresas como Banco Itaú, Biosintética Farmacêutica e Schahin Engenharia. Como empresário, fundou a empresa Central de Ensino, especializada em cursos preparatórios para ANPEC, ANPAD e certificações profissionais. ?Minha vida profissional sempre foi escrita com muito trabalho e dedicação?, resume.
De posse de toda essa bagagem, Carlos Nakao inicia esta semana uma nova coluna no Paraná Shimbun, ?Capital Intelectual?, publicada na página 2. Toda semana, ele deve trazer informações e esclarecer o leitor sobre economia, administração, finanças e assuntos relacionados, com linguagem simples e acessível. ?Meu maior objetivo é compartilhar conhecimentos com aqueles que desejam compreender o mundo sob a ótica econômico-financeira. E estimular as pessoas a pensar em dinheiro de uma forma diferente?, define.
Confira a entrevista que o novo colunista concedeu por e-mail ao Paraná Shimbun.

Paraná Shimbun ? Você sentiu alguma responsabilidade maior pelo fato de ser o primeiro nikkei a participar do programa ?O Aprendiz??
Nakao ? Sim. Tenho muito orgulho de minhas raízes e desejo que os nikkeis sejam cada vez mais bem vistos no Brasil. Luto por isto com todas as minhas forças e por isso digo com segurança: senti uma enorme responsabilidade pelo fato de ter sido o primeiro e único nikkei a participar do programa.

Shimbun ? Sua atitude de não aceitar formar alianças para prejudicar os outros concorrentes durante o reality show foi bastante elogiada, inclusive pelo próprio Justus. A que você credita essa ética tão bem arraigada? Você considera haver alguma influência da cultura japonesa nessa atitude?
Nakao ? Considero que existe uma grande influência familiar - e conseqüentemente da cultura japonesa, em todas as minhas atitudes. Inclusive na postura que adotei no programa.

Shimbun ? Que valores nipônicos você mais valoriza? Em que situações/aspectos você considera que eles podem atuar como um diferencial na vida profissional e pessoal do nikkei?
Nakao ? Os valores nipônicos que mais valorizo são a determinação e a vontade infinita de vencer. A perseverança é sem dúvida o maior valor nipônico. Esta determinação se reflete diretamente no modo de ser dos orientais de maneira geral, tanto na vida profissional como acadêmica.

Shimbun ? Como você avalia a sua participação no programa e a exposição na mídia que isso lhe trouxe? Apesar de não ter sido o escolhido, você se considera vencedor?
Nakao ? Me considero um vencedor: minha postura e minhas atitudes representam, para mim e para minha família, um legado maior do que a vitória em si.

Shimbun ? Com apenas 33 anos, você já acumula em seu currículo o cargo de executivo financeiro em grandes empresas, como o Banco Itaú e Equifax do Brasil. Em um mercado tão competitivo com um número crescente de profissionais, o que você considera necessário a um jovem profissional para alçar cargos como os que você conquistou?
Nakao ? A fé em si mesmo, na família e principalmente no trabalho árduo. Estes valores conduzem qualquer ser humano à vitória.

Shimbun ? Você tem trabalhado em quê, atualmente, e quais os planos para o futuro?
Nakao ? Tenho trabalhado atualmente em finanças corporativas, prestando serviços em uma grande empresa multinacional no ramo de produtos de luxo. Num horizonte de cinco anos vejo-me como diretor de uma grande corporação; e trabalho árdua e incessantemente para isto.

Shimbun ? Você é um engenheiro pós-graduado em administração e mestre em economia. Com toda essa bagagem, como você vê o movimento dekassegui? Considera válido viajar para o Japão a trabalho para juntar dinheiro? Ou acha que os nipo-brasileiros, principalmente os mais jovens, deveriam tentar investir mais em suas carreiras por aqui antes de decidir partir?
Nakao ? Considero admirável o movimento dekassegui pois em nossas vidas existem momentos para plantar e outros para colher. O dekassegui se afasta momentaneamente do seu país natal, de seus amigos e sua família, mas almeja voltar e ter uma vida melhor. Isto é louvável. Entendo, porém, que preferencialmente devemos lutar por oportunidades onde temos nossas raízes, nossos amigos e nossa família.

Shimbun ? Os dekasseguis têm retornado com dinheiro para investir, mas pouco conhecimento em gestão de empresas. Por conta disso, chega a ser alarmante o número de empresas que fecham em menos de três anos, acabando com o sonho conquistado com tanto suor. Que conselho você daria para quem acaba de retornar ao país disposto a abrir um negócio?
Nakao ? Meu conselho aos dekasseguis recém-chegados pode ser dividido em três fases, cada qual em determinado horizonte de tempo. No curto prazo sugiro investir parte de seu dinheiro em aplicações seguras (tais como os fundos de renda fixa e DI, por exemplo) e controlar de perto seus rendimentos.
No médio prazo sugiro investir em sua educação financeira e em sua formação profissional buscando, sem pressa, dominar conceitos que o diferencie no seu específico mercado de atuação. No longo prazo sugiro somente empreender em mercados que sejam de seu domínio e com representativas reservas emergenciais, não direcionando 100% dos recursos em um único negócio. Este processo deve ser realizado de maneira ponderada e racional, pois abrir um negócio sem o devido domínio do mercado de atuação é a maneira mais arriscada de investir o seu dinheiro.

É possível alguém sem formação específica entender de finanças, administração e economia? Como?
Nakao ? Sim, é possível, porém com esforço e dedicação extraordinários e a leitura dos autores corretos. A formação específica na área facilita trilhar o caminho, pois direciona e organiza os esforços. Mas existem grandes financistas e mesmo economistas autodidatas. Em meu caso, quando me formei engenheiro e imediatamente comecei a trabalhar em finanças tentei por diversas vezes entender fenômenos econômicos e senti dificuldade. Desta forma, busquei novamente a universidade e através de dois cursos de pós-graduação redirecionei minha vida e minha carreira.


Leia no site Paraná Shimbun.

FENEA

 

Comentário Econômico - 2008